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sábado, 12 de outubro de 2013

Zerando a vida ou Black Sabbath em São Paulo

Em show mais do que memorável, Black Sabbath volta a São Paulo. 



O tempo pareceu reverenciar o evento da última sexta, 11 de outubro, no Campo de Marte: uma lua imensa, num céu escuro e vento frio completaram o clima pesado e sombrio da noite. Até ele pareceu saber quem subiria ao palco, para detonar tudo o que estivesse em pé, numa porradaria capaz de saciar os mais vorazes: Black Sabbath, os pais do heavy metal, com Megadeth na abertura, banda não menos prestigiada.
Megadeth, apesar do show impecável, com músicas como "Hangar 18", "Holly wars", "Peace Sells" e a clássica "Symphony of destruction", e de um Mustaine frenético, não era do meu interesse na ocasião e serviu para que eu abrisse caminho rumo ao posto mais próximo da grade possível, em meio ao bate-cabeça gerado. Porém, a banda contava com fãs fervorosos e mostrou a que veio, funcionando como uma bela -e pesada- entrada.
O que eu queria mesmo, coincidentemente após treze anos de espera, era o prato principal: Black Sabbath, em sua turnê de lançamento do "13", novo álbum da banda, e, por que não, de reunião. 
Todo o bangear do show do Megadeth não foi capaz de descrever o que viria depois. Com o palco coberto por uma cortina preta, por onde só era possível ver os conhecidos símbolos dos nossos pequenos diabos, o vocalista chamando o público e as sirenes introdutórias de "War Pigs" -porque banda que é banda não espera fim de show para clássico, faz um show cheio deles, desde o começo!- é que o verdadeiro espetáculo começou. Êxtase sem tamanho.
O show seguiu com as matadoras "Into the void" e "Under the sun", gerando uma onda de cabeças balançando e mãos ao alto, com indicador e mindinho eretos, símbolo conhecidíssimo dentro e fora do mundo metal. Porém, foi ao ouvir o anúncio de "Snowbllind" que a histeria tomou conta desta que vos escreve: uma mistura de ameaça de choro, gritos e nosso sinal de respeito e admiração à banda mais famoso, aquele que se transforma em verdadeira reverência ao membro masculino e derivados, como "caralho" e "porra", seguidos de um "cara" e de mãos levadas à cabeça, numa clara demonstração de incredulidade ao que se passa à sua frente, merecendo, claro, cabeças olhando com cara de susto.
Após essa música, a banda introduz uma das faixas de seu novo álbum, "Age of reason", cantada pelo atualizado público do show. 
Aproveitando o clima e cumprindo a promessa de levar-nos aos primórdios da banda, é possível ouvir a clássica tempestade introdutória de "Black Sabbath", cantada em uníssono pelo vocalista e pela audiência frenética e bangeadora.
A banda segue tocando "Behind he wall of sleep" e deixando o gênio das 4 cordas, Geezer Butler, com seu solo que viraria a sensacionalíssima "N.I.B", para outra onda de histeria desta que vos escreve, merecendo novas cabeças olhando com cara de susto e vozes perguntando sobre meu estado atual -Tá tudo bem aí?-.
Após esta maravilha, mais uma das faixas do novo álbum, "End of the beginning", também cantada pelo público estasiado.
Eis que as fadas de botas surgem no telão, junto com os primeiros acordes de "Fairies wear boots", outro clássico cantado em uníssono. Como emenda, a instrumental "Rat Salad", seguida de um solo extremamente estasiante do novato -na banda, ok?- baterista, Tommy Clufetos. 
Após o solo que deixou todos boquiabertos, "Iron Man", o clássico que jamais faltará num show do Sabbath e que jamais será incômodo de ouvir. Precisa dizer que o público foi ao delírio?
"Gos is dead?" foi a faixa do novo álbum que deu continuidade ao show, esta sim se assemelhando aos clássicos já tocados, devido ao uníssono em que foi cantada. 
Um terceira onda de histeria invadiu esta que vos escreve ao ouvir o anúncio de "Dity Women", clássico da banda que quase nunca vi nos set lists, seguida de um comentário feito pelo vocalista "I like dirty women", respondido pela minha companheira de show com um "Deixa a Sharon saber disso!", piada que deu mais clima ao som (Thanks, Rueda!).
Como tudo que é bom, embora tenha tido umas boas duas horas, sempre acaba, "Children of the grave", um matador clássico da banda e indicador do final do show, chegou arrebentando aquilo que ainda ousava estar de pé, depois de tanta porrada.
Como todo bom showman, Ozzy pede para que fiquemos loucos -Jesus, mais ainda?- neste som e então receberíamos a recompensa de mais uma música. Acho que demos conta do recado pois recebemos a introdução de Sabbath bloody Sabbath - se senti falta lancinante de alguma coisa neste show, foi desta música e de Supernaut- e, para derrubar o que ainda teimava ficar em pé, num bate cabeça épico, outro clássico que jamais faltará em qualquer show que se preze, ainda mais no show daqueles que criaram o som: Paranoid. Thank you, São Paulo. You are the one. Gos bless you all! Ide em paz e que o êxtase os acompanhe! 
Quer saber? O show valeu cada centavo gasto com ingresso, alimentação e transporte, cada segundo de espera, cada empurrão, cada hematoma, cada ameaça ao meu joelho direito. Épico, se é que esta palavra descreve a noite de 11 de outubro de dois mil e 13.

Membro por membro

Tony Iommi mostrou porque é um dos guitarristas mais aclamados e mais influenciadores do heavy metal. Com sua presença de palco soturna e seus riffs inconfundíveis, o lorde mostra todo seu poder. Valendo-me das expressões mais atuais, o câncer bate em tamanha lordeza e não só volta, como é catapultado... para a puta que o pariu, de preferência. E, pelo menos perto de mim, não ouve quem ousasse ficar de braços abaixados e de boca fechada quando Iommi parou de tocar, pôs a mão na cintura e olhou o público com cara de "Porra, galera, vocês morreram? Vamos agitar!" Ganhou, merecidamente, várias vozes ovacionando seu nome, neste e em vários momentos do show e eu vi, juro que vi, um sorriso de satisfação sair daquele rosto. Um lorde.... sem mais!

Geezer Butler, o gênio das quatro cordas e algumas das letras mais marcantes da banda, como a da música de abertura, é outro que mostra porque deve ser ovacionado, como foi no show, por eras. Seu baixo sombrio compõe a cozinha da banda e nos dá a ideia do porquê as pessoas se assustavam ao ouvir a então desconhecida Black Sabbath, logo nos primeiros acordes. Para quem ainda tinha dúvidas, o solo que antecedeu "N.I.B" cessou-as. Sua presença de palco deixaria a desejar, não fosse ele o gênio que é. E é até compreensível, pois gênio que é gênio sabe que será procurado, visto e reconhecido, fato que comprovei ao tentar ver o baixista no palco diversas vezes durante o show.


A presença de palco fica mesmo com o vocalista, Ozzy Osbourne. Com mols (Thanks one more time, Rueda!) de carisma, disposição (ao final do show ouvi uma declaração que também era minha: "Porra, eu lá, com o braço cansado de bater palmas, e o Ozzy lá, pulando, batendo palma e cantando.... foda!") e hiperatividade, o Madman mostra a todos o porquê de seu apelido: dança, pula, bate palma, corre para todos os lados, joga água na cabeça, morde um dos indigestos morcegos jogados no palco, rege o público e ainda consegue ser uma das vozes mais amadas do rock´n´roll. Amados por ele também somos nós: por incontáveis vezes recebemos bênçãos, declarações de amor e reverências do vovô Osbourne, que, com um sorriso no rosto, mostra sempre a satisfação que é subir no palco. 



Senti falta de Bill Ward, mas não porque seu substituto tenha feito um mau serviço, muito pelo contrário: Tommy Clufetos, um menino entre gigantes, mostrou porque fora escolhido pelos pais do heavy metal para compor a banda, honrando o posto com uma cozinha impecável com Butler e Iommi e com o solo predecessor de "Iron man" extremamente eletrizante, deixando todos, certamente, boquiabertos. Se coubesse a comparação e se a personagem existisse, diria que Goro é quem tocava, tamanha a precisão e rapidez de Clufetos. Tem todo o meu respeito e o dos aproximados 70 mil [número não oficial] bangers presentes.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Die Welle





A autocracia não é possível nos dias de hoje?
Essa pergunta chave é que desencadeia os acontecimentos – e posteriores consequências- de um dos filmes mais surpreendentes a que assisti. Die Welle (A onda) não é lá um filme tão novo, mas –agora sei que infelizmente- ainda não tinha visto.
Nesse filme, Reiner é um professor que é obrigado a dar uma disciplina com a qual não compactua, anarquista que é: a autocracia. Ele tenta trocar de disciplina com um professor mais rígido, mas esse não concorda. Que fazer? Dar a disciplina do modo mais eficaz e competente possível.
 A aula começa com uma troca de perguntas bastante comum, do tipo “O que é para você autocracia?”, a que os alunos respondem da maneira a que estão acostumados: informalmente.
Até aí, nada de mais, exceto pela pergunta que desencadeia tudo e que começa esse texto. É por meio dela que o professor tem a ideia de fazer com que os alunos “sentissem na pele” o que é estar em um regime autoritário. Um grande experiência, não?
Dia após dia, as bases desse tipo de regime vão sendo inseridas: o líder, o uniforme, as ordens e preceitos, o símbolo, o nome, a manipulação. Interessante é notar que as ideias saem da própria cabeça dos alunos, que são incapazes de notar o tamanho da manipulação a que estão sendo submetidos com assustadora rapidez. Uma semana e o regime já está plenamente instalado e aceito pelo grupo, que tenta impô-lo não só aos alunos da escola, como à sociedade, por meio de páginas na internet, de adesivos e pichações espalhadas pelas ruas.
O desfecho da história é surpreendente e faz com que se comece a pensar na força que manipulação tem, na facilidade –em termos- que é controlar pessoas em alguma fase de desconforto (Na Alemanha real, era a destruição do país, sua economia e sociedade. No filme, são os conflitos familiares, entre amigos, entre gostos, a falta de pertencimento a uma comunidade e a falta de uma ideologia comum).
Interessante aqui –puxando a sardinha mais para o meu lado, apesar de eu odiar peixe =P- é notar o papel do professor, que tanto pode guiar seu aluno para o “caminho do bem”, como pode inseri-lo em ideologias que já não são aceitas [um dia foram?] e consideradas um passado a não se orgulhar. E, nesse caso, esse papel não só saiu do controle, como foi muito mais além disso. 



domingo, 7 de outubro de 2012

She she pop

Dedicado a Demetrius, Marília, She she pop e seus pais e a tia do alemão, né? =D



Lá fui eu tomar um ônibus, dois metrôs e mais um fucking ônibus única e exclusivamente para ver uma peça de teatro. Dessa vez, julgo eu que por pura insistência da minha parte e consideração, bondade e curiosidade da parte deles, fui acompanhada de dois amigos.
A peça era uma curiosidade só: três atrizes, seus pais não autores, na língua alemã, com legenda. Atores e não atores? Legenda em peça? Ah, vamos ver no que dá!
Sesc Santana, sábado, 06 de outubro de dois mil e doze, sete e meia da noite: enquanto esperamos, falamos de nossas amizades, do gosto de pomada que tem creme de cupuaçu com farofa de castanha (invenção minha pedir coisas que nunca comi! =P) e de nossas expectativas com relação à peça.
Graça divina -ou algo parecido- que um dia alcançarei: trocar de língua (inglês« alemão) em segundos, só para pedir licença para o desastrado da frente (aeeewwww... tinha que estar em minha companhia! =DD).
Entramos. Não era hora ainda, então ficamos discutindo a decoração do lugar, a pintura de nossas futuras casas e a questão do ridículo no uso de armação de óculos patrocinada pela Chiquinha do Chaves e suas variantes, sejam elas coloridas ou não.
E abrem-se as portas! Achar o lugar não foi difícil... esperar todo mundo fazer o mesmo foi... AH, SE FOI!
Fase do acaso: Uma família alemã sentada na fileira de traz.
Frustração: Uma meia dúzia de três ou quatro palavras (Alô, Peri! Como vai você?) entendidas. Quem foi que disse mesmo que dava para aprender alemão em uma só encarnação? Scheisse*!
E começa a peça!
Confesso que achei tudo estranho no início: A peça era bem diferente de tudo o que já tinha visto.
Câmera, trompetes, legendas, quadros e as atrizes e os não-atores no palco. Não sabia para onde olhar! Queria me livrar da legenda e ver se ponha a prova os seis longos anos escutando alemão, mas não foi tarefa tão fácil assim (Cadê C1, minha gente!?!). Desencanei, no português já quase inapropriado para minha idade.
Falando nisso….
O tema da peça era conflito de gerações. Baseada em “Rei Lear”, ela trazia as já –tão- mencionadas três atrizes e seus pais discutindo os problemas da relação entre gerações diferentes.
Nome da peça: Testamento. Esse foi o ponto de partida para o início da discussão-peça que viria.
Conflito pessoal: era para ser uma comédia, não? Cadê o riso, minha gente?! Lá veio ele: um dos pais da peça, físico (Himmeeeeeellllllll! =D), começa a explicar a expressão do amor pelo pai para ganhar um terço do reino como herança na fala das filhas de Rei Lear, a peça original, usando um esquema, um gráfico e uma derivada da somatória da matriz... Ri muito! Para mim, um dos pontos altos da peça.
Conflito pessoal: era para ser uma comédia, não? Cadê o riso, minha gente?! Lá veio o posto a ele: Em uma duas falas mais comoventes da peça, o pai diz que não acha nada engraçado expor suas fraquezas e especificidades numa peça assim, do modo como estavam fazendo. Na outra, a filha diz todos os cuidados – e com que frequência- que deverá ter com seu velho pai, quando esse passasse a viver com ela e precisasse desses cuidados. Bastante tocante.
Entre danças, risos, dilemas e duetos, a peça acabou. Sobraram as discusses pós-peça, as lembranças, a noite, o vento e a caminhada para a estação de metrô mais próxima, já que não era nem um pouco seguro atravessar a avenida correndo e ir ao Habib´s mais próximo.
Sobrou também ligar para a geração anterior nos buscar...
And then I go and spoil it all by saying somethin’ stupid like “I Love you”. 



* Escrever o danado do "estzet" aqui é sempre um problema. Logo, achei melhor utilizar os dois esses que corresponderiam à letra alemã. 





Joe, Engel, o acaso e Christiane F.

O acaso sempre fez parte da minha vida. Nele acredito e com ele tenho histórias mil para contar. Foi ele quem me fez descobrir o youtube. Foi ele quem me fez descobrir filmes inteiros no youtube. Foi ele quem me fez descobrir artigos sobre filmes alemães inteiros no youtube.
E foram o youtube e o já citado artigo sobre filmes alemães que me fizeram ver o famosíssimo Christiane F., que muito pouco ou nada tem a ver com esse pretenso texto.
Christiane F. é mesmo uma obra prima. É tudo o que falam: pesado, assustador, extremamente real e, acima de tudo, inesquecível. Não há, de fato, como passar por ele sem refletir sobre o problema das drogas, seus efeitos nos indivíduo e na sociedade e os outros males que ela acarreta ou sustenta.
Mas, como esse pretenso texto pouco ou nada tem a ver com coisas certas, nem com o Christiane F., como já disse, e sim com o danado do acaso, o que veio depois desse filme foi o que me fez escrever.
Como já é sabido até por mim, o youtube apresenta vídeos relacionados ao que você está assistindo. Não me pergunte como é feita essa relação, pois há coisas lá que simplesmente não combinam com o que você assiste no momento, ou pouco o fazem.
E de repente, lá estava eu, diante de um título bastante intrigante: Joe e Engel: A nova geração Christiane F. Fiquei super curiosa, pois acabara de assistir ao que seria o primeiro de uma –agora descoberta- série de filmes e, claro, queria terminar a tarefa.
Adianto que Joe e Engel nada tem a ver com “Nós, as crianças da estação” (Esse é o nome real do Christiane F. [da série Oi, eu sei alemão! =D]), exceto um dos, salvo engano, roteiristas.
O assunto é, vinte e cinco anos depois, novamente a juventude transviada de Berlin. Nele estão de novo as drogas, o sexo, a prostituição (por que não?). Nele são novos a gravidez precoce e algo que me fez amá-lo tanto a ponto de assistir trocentas vezes seguidas, coisa que só acontecera anos antes, com o clássico Laranja Mecânica.
Esse algo foi a delicadeza das coisas que não se mudam com facilidade e a força de vontade que elas exigem, sem se deixar ser audacioso, inquieto e deveras sensível.
Joe é uma jovem como outra qualquer, exceto pela mãe viciada em remédios e em um relacionamento tumultuado que desencadeia o vício em remédio. Cansada desse ciclo, ela resolve sair de casa e tomar conta da própria vida, levando apenas uma bolsa, um casaco, a roupa do corpo e Rasta, seu fiel cão.
De novo o acaso! É por ele que Rasta foge da dona e sai correndo, ao encontro de um grupo de amigos punks que brinca entre si numa das calçadas e vai morder justo o pé de Engel, um punk deveras sensível, em vias de largar o vício em drogas (na verdade, só se entende que ele foi de fato viciado no decorrer do filme) que mora nas ruas, pois foi abandonado pelos pais em um orfanato- coisa que a gente entende só com o filme bem adiantado.
Esse logo se interessa pela garota nada acostumada à vida nas ruas, a defende de um grupo de fascistas em um show, dá-lhe abrigo e a introduz ao grupo com quem anda. Aos trancos e barrancos, essa relação nada comum vai se desenvolvendo e vira uma paixão. Planos são feitos: Engel conta à namorada que planeja sair de Berlin e ir para o campo, onde fundará uma comunidade anarquista de subsistência e ele decide ir com ele.
 Porém, em uma briga, Joe acaba por ser estuprada (acho que poderia definir a cena com esses termos) e Engel encontra a polícia, enquanto a procura Joe pela estação de trem onde ocorreu a briga, e, ao tentar fugir dela, é atropelado.
O ponto de virada do filme é exatamente esse, pois, Joe se descobre grávida e Engel se dispõe a assumir o filho que, devido ao estupro, pode não ser dele.
Para sustentar esse filho, Engel procura emprego, mas não consegue ficar em nenhum deles, primeiro pela aparência, depois por que ninguém acredita na história “mulher e filho pequeno para sustentar”, o que o faz roubar para que Moisés não precise aprender a engatinhar em um cemitério.
Assim que consegue tirar sua amada e o filho do hospital, Engel acaba preso e Joe volta para casa, apoiada por uma assistente social, pela mãe e pelo skatista, suposto pai “playboy” do filho dela.
Engel escreve cartas mil e Joe responde apenas uma delas acabando o relacionamento, o que  o leva ao desespero total e a volta ao vício em drogas.
No Natal, Engel consegue sair da cadeia e vai visitar Joe, que decide, novamente, viver com o namorado.
É Joe quem exerce papel importante no desenrolar da trama até seu final. É ela que tem um misto de delicadeza e força para conseguir resolver todos os problemas que aparecem. Não que Engel seja um descontrolado, mas ele se revela mais sensível e carente do que ela.
 O filme todo faz esse jogo com o delicado e o racional, necessário, além de mostrar que a tal da juventude transviada pode sim, crescer e buscar o que é melhor para si. Basta a força de vontade que Joe representa, em minha opinião.
Com relação a coisas mais técnicas, das quais eu pouco sei, chamou-me atenção a fotografia, que constrói significados por ela mesma (atente-se para a última aparição de Moisés e a cena que se segue.... achei primorosa!), opondo os raros colorido e claro ao escuro e sombrio de cada cena, o que faz lembrar sim o filme anterior do roteirista.
Também chamou-me a atenção a trilha sonora, que não é o Bowie do filme anterior, mas tem músicas muito boas e muito bem inseridas nas cenas.
Clichês, como o famoso “fugere urbem” (era assim que escrevia? =D) ou “o interior é mais legal” existem, é claro, no filme. É mais uma metáfora de vida nova e superação do que de descanso, em minha opinião. Outro clichê bastante aparente é a existência da família, que aqui serviu tanto para destruir as personagens, como para guiá-las, redimindo a instituição no final.
Joe e Engel: a nova geração Christiane F. é um filme excelente, bem balanceado entre o delicado do mundo, sem ser piegas, e o seu ponto mais cruel, sem ser também um Coliseu, onde a menor menção a um polegar em riste te coloca frente a leões prontos para o banquete. É um filme extremamente envolvente.
 Você que conseguiu ler isso até agora, procure assistir ao filme e me diga o que achou nos comentários.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Tecendo [sacou, sacou?] brevíssimos comentários sobre o novo Spiderman


Não sou o tipo de nerd que sabe histórias em quadrinhos de cor [acho uma dádiva ler, discutir AND fazer cosplays, mas eu não tenho lá muita informação sobre/paciência] e nem sei de onde isso veio, mas ando assistindo a muitos filmes de super-heróis. 
Obviamente, o último foi O Espetacular Homem Aranha: um título presunçoso, diria eu - e o colunista chato que li ante de ver o filme-, mas que atiçou minha curiosidade.
Depois de me aventurar na terra da garota, sem lenço, documento, bilhete único AND guarda-chuva, cheguei a cinema. Antes li a supracitada "coluna do chato" e uma outra de um ser bonzinho -deve ser parente da tia da Literatura, pois achou tudo lindo. Não lembro exatamente o que diziam ambas, mas a segunda me deixou menos lembranças do que a primeira. Dizia ela que o filme era extremamente emocional [It´s the old mamão com açúcar], quase psicologia barata, pois era tudo, mas tudo mesmo interligado [o também velho trinômio causa-consequência-explicação, não necessariamente nessa ordem] e que o vilão não convencia. 
De fato todos os argumentos são, para mim, válidos: o filme tem muitas cenas extremamente chocantes e que me fizeram encher os olhos de lágrimas (para quem me conhece enquanto telespectadora, deveras surpreendente).
A estruturação do filme em causa-consequência-explicação realmente é fastidiosa, mas não diria que é exagerada, pois nada nesse filme, com base no olhar leigo que para ele poderia dar, o é. 
O vilão realmente não convence e é, por vezes risível [QUE VONTADE DE DESCREVER UMA CENA SPOILLER.... ME SEGUREM!], mas é verossímil, bem como as teias de aranha do nosso herói, que agora fazem muito mais sentido do que antes. Sem contar que, que.... seu final é uma surpresa só. 
Porém, nem só de reclamação vivem os críticos [e eu =D]. Há que se destacar o importante papel do diálogo no filme [uma fofura quando se trata de Gwen e do nosso herói] e o bom uso de uma das minhas figuras de linguagem favoritas: a ironia: há cenas em que eles dão um viés totalmente cômico ao filme. Sim, você pode -e bastante- rir bastante nesse filme.
A trilha sonora, embora composta por poucas músicas -3 ou 4, na verdade- e embora não sendo músicas que me fizessem cantar no meio do cinema [pobre Alice!], também exerce um papel muito importante dentro da trama: ela é responsável por dar liga às cenas, clareando seu viés ora cômico, ora emocional.
A fotografia também é um caso à parte: muitas delas tem uma beleza incrível, são mesmo excelente e te deixam cada vez mais dentro do filme [ou seria a versão em 3D?] quem, aliás, é difícil de deixar de lado [Oi, eu saí praticamente expulsa do cinema, de boca aberta, quase correndo para escrever isso numa mesinha da café. Oi, sou normal... eu acho!].
Outra coisa que me surpreendeu foi o papel da mocinha [nem sei se vale por isso aqui.], que de mocinha não tem nada. Achei a Gwen muito mais independente, participativa e decidida do que os outros pares românticos de super-heróis que já vi: ela não fica esperando ser salva por ele, embora saiba que pode contar com isso, e mesmo ajuda bastante na resolução do problema. AMEI.  
Título presunçoso? Não para mim!

ps: Escrever um texto sobre um filme sendo leigo já é ruim, mas tentar não contar spoillers é ainda pior.
psII: Se puder, assista ao filme em 3D. No começo você achará que não valeu a pena, mas vai mudar de ideia razoavelmente rápido.
psIII: Se você ainda não se acostumou a ficar até o final dos créditos dentro da sala em filmes de super-heróis, fique desta vez! Tem ceninha depois =D

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Weekend


"Eu quero me redesenhar, mas alguém sempre fica escondendo a porra do meu lápis".


Acabo de ver Weekend, um filme indicado por um amigo.
A história é de um casal gay masculino e de seu encontro inusitado pelos pubs LGBT [lá eles usam essa sigla ou outra parecida?] de Londres e, obviamente, da relação que surge então.
O filme é muito bem construído, com cenas extremamente tocantes, o que me fez pensar que faria muito sucesso, não fosse pelo inusitado [oi?] casal protagonista.
E é também disso que o filme fala [ou falou para mim]. Trata-se de uma discussão delicada do que é ser gay para si e para os outros.
Glen é muito bem resolvido. Se assumiu aos 16, dando um grande foda-se (sic!) para o mundo, a própria família e o que eles poderiam vir a pensar "It doesn´t matter" (Say it with british accent!), vivendo de acordo com o que acredita.
Russel é um rapaz ultra [cabe aqui? Acho que sim!] romântico, um doce. Não tem família, mas tem UM grande amigo – que, aliás, protagonizará uma das cenas mais bonitas do filme para mim. Tem um medo de se assumir completamente por causa do mundo ao seu redor – o que, para mim, acaba por se revelar mais uma paranoia pessoal do que, digamos, um perigo real-, mas se sente bem sendo gay. É só quando precisa trabalhar, sair, que dá uma indigestão. Nada tão assustador...
Quanto aos outros, fiquei surpresa! O filme retrata a história com uma normalidade que chegou a me assustar, tendo em vista os horrores que se vê fora das telas: Pessoas, ser gay é normal! Pasmem, mas é! E sim, é possível ter, “apesar de” uma vida descente. E amar. E ser romântico. E ter amigos. E ter, inclusive, uma afilhada... olha só!
É quando essas duas atmosferas se encontram e se embatem [Glen quase não entende porque Russel é tão, digamos, recalcado, embora ainda seja um exagero empregar tal palavra] que a mágica acontece: é possível observar ali, nos debates entre as duas personagens, os medos, as opiniões e o modo como encaram a sua orientação sexual. Também há um gravador e uns arquivos do Word feitos por Glen e Russel que, se eu falar mais, acabaram com a beleza da descoberta.
Dois dias. Dois dias é o que eles têm para mudar um pouco cada um- quem vir o filme notará que é uma mudança sutil, mas verdadeira. Dois dias não é nada e é tudo. Dois dias não dá para conhecer ninguém?
Dois dias e um final nada comum, para quem mais vê filmes hollywoodianos [veja bem, não falei mal, hein?] do que europeus, mas um final maravilhoso e bastante poético.
Só há um contraponto nessa história toda: as drogas. Sim, eu sou careta à beça, mas esse não é exatamente o caso. Tentei pensar com a mente Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo [disso]! dos “haters”: dirão eles que tudo é culpa das drogas e das bebidas, que pessoas em sã consciência jamais fariam isso... Bem, posso estar exagerando, o que não seria novidade, mas eu realmente achei que esse é o ponto mais fraco dessa narrativa, o que não me impediu de vê-la até o final e de sim, indicá-la.
Um filme fantástico.... Vale a pena.

Mais informações, aqui [link em inglês].

sexta-feira, 9 de março de 2012

Meu último livro

Finalmente acabei um dos livros que mais demorei para ler, pelo que minha memória pode agora me dizer.
O que eu tenho a comentar sobre o Mentes Perigosas? Muito pouco, na verdade. 
Quando abri as páginas do livro, achei que seria mais uma daquelas viagens maravilhosas através dessa coisa que comanda tudo: o cérebro. Decepcionei.
O livro fala sim de cérebro, de comportamentos, da mente humana em si. Traz relatos interessantes sobre como funcionaria a mente de um psicopata, quais são os possíveis motivos  desse comportamento e qual seria também sua origem, além de exemplos bem famosos e ilustrativos. Porém, algo me incomodou.... e muito!
Por mais que a autora insista em dizer que não é um livro para deixar todo mundo com a famosa "mania de perseguição", essa foi a atmosfera que permeou toda a minha leitura. Fechei o livro com a sensação de que todos ao meu lado são psicopatas de fato ou em potencial. Estranho!

E eu não tive vontade de virar amiga da escritora só para poder telefonar quando desse na telha...

SILVA, Ana Beatriz Barbosa.  Mentes Perigosas- O psicopata mora ao lado- Ed. de bolso.- Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.



domingo, 9 de outubro de 2011

Araraquara rock 2011, segundo dia

Logo tirado do site oficial

Para quem não esperava nada e foi só porque não tinha nada para fazer – que minha orientadora não leia isso!-, a noite de ontem do Araraquara Rock merece nossos dedos indicador e mindinho em riste e aquela famosa cara falsa de mal- “é natural do homem a capacidade de imitar” maooooee Aristóteles maneiro! Literalmente, uma porrada. No sentido mais tradicional da coisa, pois não faltaram nem cotoveladas, nem corpos se batendo falsamente (Meu querido bate cabeça que eu não podia deixar de entrar)-não se assuste: se não quiser participar, é só devolver a porrada e está tudo certo-, vocais guturais, pedais duplos e muita, muita guitarra distorcida.
Metaforicamente, os shows de ontem também foram uma porrada só: começamos bem, com um cadeirante como baixista. Passamos por um guitarrista novíssimo, mas fazendo o serviço que muita gente grande não faz, por uma mocinha de 1,60m, com maquiagem à la David Bowie cantando Avenged Sevenfold e fazendo marmanjos de 1,80m pirarem com muita, mas com muita propriedade. Alô você que acha que somos adolescentes agressivos, sisudos e praticamente autistas dentro de nossa própria curtição irreal de dizer sim ao som com um movimento rápido e contínuo de nossas cabeças: Isso está bom para você ser convencido do contrário ou eu vou precisar falar mais?
Vou precisar falar mais? Ok.
Por onde começarei? Pelo pessoal do rockabilly e do emo que andava tranquilamente no meio dos Canibal Corpses da vida? Pela mocinha com vestido rosa de bolinha prostrada de pé, perto do palco, sem nenhum arranhão? Pelo rapaz com a camiseta do Black Flag sossegadamente transitando por lá? Está bom, né?
Gosto de ir a shows com as músicas que conheço e descobrir o resto lá. Faz mais sentido, a meu ver. E foi assim que vi a banda mais esperada da noite- e a mais levinha de todas, dado ser classificada como de metal melódico- Hangar. Trata-se da banda de Aquiles Priester, nome que nós, os iniciados, ouvimos com muita reverência- O baterista do Angra! Porrada mais uma vez: o show foi uma profusão maravilhosa de técnica, atitude, velocidade, peso, energia sentimentalismo –te peguei!- conversas com o público- te peguei outra vez!- e muita, muita simpatia.
Ao final, um presente para essa que vos fala: um cover muito bem realizado de nada mais, nada menos do que Painkiller do Judas Priest que fez com que ela fizesse um simpático ângulo de 320 graus entre o chão e o céu e elevasse sua voz às entidades mais longínquas- coisa que teve que agradecer ao baixista depois-... demônios expurgados... Porrada!
A última porrada da noite, se é que se tinha força para mais uma, foi a simpatia da banda principal ao dar autógrafos, tirar fotos e escutar as besteiras que a gente fala aos ídolos, quando os vê de perto. Coisa que essa que vos fala não se livrou de fazer. Porrada, porrada, porrada. Amei! \m/

Miniconto: 
Vocalista mais novo- “estou há três meses na banda”- e uma tiete tímida:
Tira uma foto comigo?
Mais claro que sim. Adorei seu cabelo... muito lindo!
Ah, valeu... valeu *fica vermelha, sorri e recebe um beijo na bochecha*
Obrigada, foi um belo show.
Obrigado você! 

domingo, 3 de abril de 2011

The happiest day of my fucking life (part. II) ou 02/04/11

06:30... eis que o relógio desperta. Acordo feliz, apesar do sábado e do horário.
Banho, café, malas prontas, capítulo do livro para o TCC lido –desencargo de consciência!-... lá vou eu!
Ônibus, quatro horas que mais parecem 4 eras geológicas... Geológica? Dinossauro? Era isso mesmo que desejava ver.
Terminal Tietê, pressa, rua, fucking sinal que não fica vermelho para os carros!
-Moço, como é que faço mesmo para chegar na Olavo Fontoura?
Você vai reto, vira à direita, depois à esquerda e vai estar logo no Anhembi -esse sabe das coisas!- ... obrigada!
Sorriso demente, uniforme preto, caminhando às duas da tarde... lá vou eu!... I AM WARRIOR, I´M FEARLESS...
-Aeeewww Mairnque / São Roque! Alguém me reconhece na fila da pista. Paro para conversar.  Se quisesse, teria lugar ali mesmo. De onde será? Nenhuma memória!
Anhembi, portão 25. Ué.... ninguém?
-Pista Premium não tem fila?
-Só entrar moça, diz o segurança.
Perdi a conta dos ‘obrigada’s!
Fila pequena... umas duzentas pessoas. Em comparação com a pista, suave demais!
Pai e filhos de campinas.... um sarro!
Telefonema... onde você está? Putz... busão de merda!
Amizade com o casal da fila: ele de Americana, ela do Rio Grande do Sul. Papo, foto, etc etc.
Portão aberto, revista, meu lanche jogado fora. Uma mentira: sou diabética! Uma sorte: uma enfermeira para confirmar! Um salvamento: M&M´s.
Pulseira na mão...
Entro. Coloco a mão no rosto porque simplesmente não acredito. IN GOD... OPS.... IN OZZY WE TRUST! Foto!
Palco perto, pertíssimo! Tweet!
Sorriso demente, dementíssimo! Ninguém o tire de mim!
Foto, foto e mais foto!
Ao meu lado, uma criança... uma criança? É... já tinha ido no Acdc –inveja!-, iria no Rock´n´rio... orgulho! Conversa longa.
À minha frente, dois amigos muito simpáticos. Aliás, tenho que agradecer aos dois, mas mais ao mais gordinho, que aguentou firme os gritos, choro e socos involuntários meus.
 Telefonema: Ei, onde você tá? Balanço o celular vermelho. Grito porque não ouço. Ligação cai. Novo telefonema: olha pra trás.... Aeeeewwwww mulequeeeeeee! Belezinha? Tozzi me acha! 
Chuva! Putz.... Ah, fuck the rain!
Mais chuva. Desta vez muito gelada. E é então que uma bandeira de 80x80 vira abrigo do dono e mais três pessoas.  Depois, outra bandeira vira abrigo de três. Esse é o espírito do metal!
19:00... agora vai? Não, a chuva não deixa!
19:30... e agora? Agora vai, mesmo com chuva.
Eis que entram três monstros destruindo tudo: Sepultura... e o Derek! Monstruosidade: de altura, de largura, de canicalon- calculei fácil 1 metro e vinte.... daí pra mais!- e de voz potente e rouca- já posso ter medo?- porque agora ele ‘tá falando português porra!’ ‘Porra Andreas... caralho, mano!’
ROOOOOOOTSSSSS. BLOOODY ROOOOOOTTTSSSS! E o menino vira pra diz e diz ao pai ‘eles tocam muito!’ Aeeewwww futuro do Metal!
Mais conversa... treze anos, fãzaço da atração principal. Quando lhe foi apresentada? Três dias depois do show anterior...
- Comecei a curtir mais ou menos com sua idade... para e pensa: metade da sua vida- eis a fucking importância disso tudo!
E o menino aprende mais sobre a atração principal com o casal ao seu lado. Aprendiz atento, guiado pelo pai fucking orgulhoso.
Inglês que é, sobe ao palco pontualmente às 21:30, de braços abertos ao público, o dinossauro do heavy metal. I´M A ROCK STAR, I´M A DEALER, I´M A SERVANT, I´M A LEADER, I´M A SAVIOR, I´M SINNER, I´M A KILLER. I´LL BE ANYTHING YOU WANT ME TO BE...
Listen in awe and you hear him (her)- voz de choro- bark in the moon!
I CAN´T FUCKING HEAR YOU…. LOUDERRRRR!
 Espumaaaaaaa!
E ela grita… grita, chora, esperneia! É de verdade... ele existe! Chora, sorri.... canta.... chora!
LET ME HEAR YOU SCREAM -SCREEEEAM, NOT CRYING, FUCK! Onde foi parar seu ingles??
E o dinossauro, agora morcego transformado, desejando o sangue que a plateia dá de muito bom grado, se enrola na bandeira do Brasil que é jogada para ele! Delírio!
Chuva que não dá trégua!
This song is called MISTER CROWLEY, I DON´T KNOW-  Nobody ever told me I´ll found out for myself… you gotta believe in foolish miracles… chora it´s not how you play the game is if win or lose you can choose… win or lose now….. it´s up to yooooouuuuuuuu- chora-, FAIRIES WEAR BOOTS, SUICIDE SOLUTION-chora -, ROAD TO NOWHER- chora, canta olhando para o céu e sentindo cair os pingos da chuva que não dá trégua sob sua cabeça- WAR PIGS…
E a chuva que não dá trégua e engrossa!
FUCK THE RAIN, MAN! FUCK THE RAIN! Baldada na própria cabeça! Shot in the dark!- Esperneia! E canta…. Canta a plenos pulmões!
 Inglês que é, logo vem um: I WOULD LIKE TO INTRODUCE MY BAND… ON KEYBOARDS, ON BASS GUITAR, ON DRUMS AND ON THE LEAD GUITARS, THE NEW ONE GUS G.- que por mim poderia ser tranquilamente a abreviação de Grego Garboso-... E começa o grito em louvor ao novo guitarrista. Deve ser legal ter seu nome entoado pela maior lenda do Metal...e por seu público fanático!
Solos, música instrumental- RAT SALAD, PORRRAAAAAA!-, banda sincronizadinha, ponderosa e cheia de estilo.
Solo de bateria...
 HEY HEY HEY HEY... IIII AAAMMMM IRON MAAAAANNNN! Oh Oh Oh Oh Oh… piração total!
This song called I DON´T WANNA CHANGE THE WORLD! E então surge um monstro a duas cabeças de distância do palco: canta com tanta força, que é possível sentir as veias querendo tomar o lugar da pele do pescoço de tão saltadas e é possível ver as veias saltarem do ponho em riste, socando, com fúria o ar. Afinal, não queremos nos mudar (muito), nem queremos que nos mudem! E se você disser que eu sou pecador (a), te digo que eu também falo com deus e que ele não gosta muito de você também! 1,63m e 72kg de fúria total.... CATARSE!
I CAN´T SEE YOU GO CRAZZZZZYYYY.... Ah, não? Pulemos então, fuck! Fúria imensa. E mais força na voz e no punho! Melhorou...
CRAZY… YEAH YEAH…. BUT THAT´S HOW IT GOES.... Senhoooooooooooooooorrrrrrr! Pula, pula, pulaaaaa! Delírio!
ONE MORE SONG, ONE MORE SONG, ONE MORE SONG!
Logo após, a calma e a doçura da ‘Balada à Sharon Osbourne’, mais conhecida como ‘Mamma I´m comming home’. E o Anhembi inteiro canta, em coro! Deve ser legal ter sua música cantada em várias vozes assim.... arrepio!
ONE MORE SONG, ONE MORE SONG!
GO CRAZZYYYYYYYYY!
E Paranoid começa! Alegria ao entoar o hino!
THANK YOU, GOOD NIGHT, WE LOVE YOU ALL!
Agradecimento ao publico… FOR ALL THIS YEARS YOU STOOD BY ME… GOD BLESS I LOVE YOU ALL!
 Alguns queriam ‘NIB’ e ‘No more tears’- aliás, gritada durante o show inteiro- como eu, mas elas não serem tocadas não pareceu um grande problema. I DON´T WANNA STOP, do Cd anterior, também não tocou, mas e daí? A gente perdoa o Madman... afinal, sem voz, ele fez mais do que pode: I don´t know what happen with my fucking voice today.... I´m a bit voiceless... but I´m doing the best I can! O baixista, que toca seu ombro um pouco antes dessa informação, sabe.... e nós também!
Caminhada de volta ao Tietê. Alguém me toca:
- Moça, como é que eu faço pra chegar ao Tietê? É só ir reto?
-Não, você tem que atravessar a passarela, ir reto, virar à esquerda na faculdade, pegar um bequinho e ir, mas se quiser,estou indo para lá... você vai comigo.
Uma loira e uma morena, que nunca se viram antes, jogam conversa fora, enquanto caminham até o Terminal. Esse é o espírito do Metal.
Ainda me faltavam 4 horas de viagem. Molhada, cansada, pobre, com fome, mas feliz.... muito feliz!
De volta à Araraquara, o mundo é mais colorido, apesar da cãibra, da tremedeira e da umidade. FUCK THE RAIN, MAN! THIS WAS THE HAPPIEST DAY OF MY FUCKING LIFE (part. II)!
02/04/11- Ozzy Osbourne
Local: Arena Anhembi
 Número de pessoas: Eu e cerca de 35 mil fanáticos, que uniram-se, pois só o rock´n´roll salva.
Gastos: Acha que eu contei?
Horas dispendidas: 24 horas cravadas. (inclusive para a escritura desse texto)

Nível de serotonina: o mais alto possível

quarta-feira, 16 de março de 2011

Eu vi no SESC

Por alguns momentos, senti o sangue negro correr mais rápido e mais intenso por minhas veias. Senti o pulsar do meu coração em sintonia com os atabaques. Meus olhos se encheram de lágrimas enquanto acompanhavam o movimentar dos corpos e das cores presentes: vermelho, verde, amarelo e preto. Em meus ouvidos penetrou o som dos chocalhos que, junto com os gritos e com as canções, completou o espetáculo, me levando a terra dos ancestrais: tataravós, bisavós... quem sabe o quão longe! Meus pés e minhas mãos seguiram o ritmo frenético das batidas...
No final o hino, cantado a capela, ativou o último dos sentidos e todos os meus poros jamais sentiram tanta liberdade com um arrepiar de pelos.
Guiné Bissau... é dança, é cor, é alegria, é instinto, fantasia, transe!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010


Quinta-feira, por volta das onze horas da noite, semanas atrás:
Meu professor, ao sair da aula, comentou um serão para o qual eu tinha certeza que iria. Me emprestou o livro da autora da vez. Surpresa!
Terça –feira, oito da noite, semanas atrás, mais atualmente do que a quinta:
Serão rolando, cabeça zunindo: Enxaqueca, cama.
Outra quinta-feira, pouco menos de onze horas:
-Você perdeu o serão da Jeanette. Foi muito bom.
- Tive uma crise de enxaqueca, não deu para ir.
Mais uma quinta, também por volta das onze:
-Professor, ainda não consegui terminar de ler o livro, você vai querê-lo de volta?
-Pode terminar de ler, depois você me devolve.
- Ok.
Quarta-feira, 15 de dezembro de 2010:
Terminei de ler o tal livro e me arrependo de não ter feito um esforço para ir no serão.
-Mas que raio de livro é esse, cazzo?
-O livro se chama Autobiografia de um crápula, de Jeanette Rozsas.Tenho que dizer que, depois das Brumas de Avalon, não li nada por prazer.... e só. Li por motivos profissionais, claro. Afinal, uma “erudita em formação” deve sempre ler, não é mesmo? De fato não me arrependo. É esse um excelente livro...
O que tem de tão bom assim? Depende... Eu cito as coisas que vi, e você lê e acha as suas! Vi um diálogo imenso com o cinema, com cortes de cena impressionantes, que me prenderam e me levaram, afoita, até a última página. Também vi intertextualidades mil, implícitas e explícitas: a escrita meio diário, meio dossiê, um panorama de autores contemporâneos de literatura espanhola...
 Mas o mais legal, para mim, foi o diálogo com o Romance Policial que vi nele. Minha praia! Adorei seguir páginas e páginas da versão de bolso emprestada atrás do que aconteceria depois, achando os cortes geniais, só para saber o que acontece no final e se Morel, o fucking Morel, nojento, corruptor de menores, filho da puta traficante de drogas seria preso...
No mais achei interessante também a linguagem usada: nem baixo calão, embora apareçam palavrões, nem erudita demais, embora quase todo mundo na trama tenha ligação com o direito...
Quarta- feira, 15 de dezembro de 2010, 18:20:
Acho que vou indicar para a Virgínia esse livro. Talvez ela goste. Direito, Virgínia, dossiês.... é, talvez ela goste!
Quarta- feira, 15 de dezembro de 2010, 18:21:
-Ai, esqueci das gírias.... Adorei o “passa-moleque”... Há anos não ouço isso!
Também vi uma metalinguagem imensa do começo ao fim do livro: primeiro porque quem escreve também está na história; segundo porque há no decorrer do livro uma discussão sobre a feitura dele e, mais para o final da trama, há um capítulo, única e exclusivamente dedicada a nossa querida METALINGUAGEM.
No mais, eu amei. Agora como leitora e não como estudante fazendo uma leitura rápida e a bel prazer de uma história que leu.
Bom, é tudo o que tenho a dizer. Só me resta agora me desculpar pela ausência em serão que seria fantástico, não fosse a droga da enxaqueca!

 Jeanette Rozsas, advogada e escritora, já recebeu diversos prêmios em concursos literários, inclusive no exterior. Participou de várias antologias; é integrante do grupo Contares, Outros Contares, e Contares conta o Natal. Seu livro de contos Feito em silêncio (Ed. Vertente), obteve o segundo lugar no concurso de obras publicadas, promovido pela Academia Brasileira de Letras de São Lourenço.
Com o também premiado Autobiografia de um crápula, Jeanette desponta como uma das novas grandes romancistas brasileiras.

Rozsas, Jeanette. Autobiografia de um crápula. São Paulo: Limiar, 2003.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Hoje faz vinte anos que, vítima de uma doença cruel e ainda sem cura, morreu um dos maiores poetas dos anos 80. Para mim, junto com o grande Raul, também já falecido, e Humberto Gessinger- esse bem vivo!-, Cazuza completa o trio de grandes gênios, goste você ou não- não me importo... o blog é meu! ahushaushaushs.
Concordo com a mãe dele, que diz que ele foi um homem de imensa coragem, pois seguiu seus sonhos, fez o que queria e, mais importante do que isso, teve garra para assumir as consequências de seus atos. Isso até você, psicóloga maluca que acha que o caráter de sua filha mudará vendo um filme sobre um "inconsequente, marginal"- falo de um e-mail que recebi há algum tempo e que me deu uma revolta gigantesca-, terá que conosco concordar.
No mais, minha pequena homenagem ao grande Cazuza, com saudades daquilo que eu não pude ver e com a alegria de fazer parte de quem apoia a permanência de sua música e poesia por muito e muito mais tempo:

quinta-feira, 6 de maio de 2010

"As he spoke my spirit climbed into the sky
I bid it to return
To hear your wonderous stories
Return to hear your wonderous stories
Return to hear your wonderous stories"

Certo dia, li que nós éramos do tamanho de nossos sonhos. Sempre me perguntei se os sonhos realmente são medidas para se mensurar o tamanho de alguém. Hoje vi que isso é meio defasado.
Acabo de voltar de uma palestra de alguém que se tornou grande com um sonho simples e pequenino: devolver aos seus vizinhos as histórias de imigrantes que os ouvira contar.
Quando ouvi a história das histórias que ele ouvira, percebi que não só seu pequeno sonho foi realizado, como foi aumentado e transmitido a mim, paulista, sentada numa platéia, anos depois, sem nenhuma descendência de imigrantes russos e nem um traço de ‘gauchês’.
Fora o encanto que passei a sentir ao ouvir tudo aquilo, enfrentei a surpresa. Buscava respostas para as minhas dúvidas com relação ao trabalho de escritor. O que vi foi a simplicidade de um ‘não sei’ tão leve e tão confortador como seria uma resposta bem formulada e toda compostas de argumentos coerentes e coesos.
A literatura, segundo Moacyr Scliar, o membro da Academia Brasileira de Letras que só queria escrever para o bairro gaúcho em que vivia, é plena de emoção. E foi isso que vi hoje.
Não é fácil identificar a origem da vontade de escrever, muito menos a origem das histórias que se escreve. Elas são frutos da imaginação.
Eis aqui o médico: inspiração, segundo Moacyr, é fruto da segunda parte em que se divide a mente, o inconsciente. Eis aqui o escritor: inspiração é algo do inconsciente que abre a porta para o inconsciente, trazendo à tona toda nossa imaginação, toda a nossa fantasia. A literatura, então, é o inconsciente dando voz às nossas fantasias.
O escritor tem grandes ou pequenas idéias. A diferença dele para os outros é que ele sabe escrever. Ou seja, é preciso dominar uma técnica literária. Como se domina uma técnica? Simples, sendo leitor.
E o que se lê? Lê-se o que se quiser! Eis aqui o piadista: Se você quiser ler a lista telefônica, eu te direi que ela tem personagens demais...
E mais: o escritor, quando relê seus textos, quase sempre se incomoda com eles, nunca gostará do próprio texto. Sempre pensará que uma frase ou uma palavra poderia ser mais bem colocada, sempre achará erros.
A literatura é fruto de emoções, é veiculada por elas. E tudo isso numa história... tão simples, tão sublime!