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domingo, 16 de outubro de 2011

Es tut uns weh!

...
-Então.... não vou dizer que eu seja tranquila quanto a isso, porque sei lá.... superação não é a palavra para isso...não posso dizer que eu tenha superado, entende?
*Me sinto exatamente assim. É como uma música que está alí, mas tem umas notas que não estão sendo tocadas. Mas a música está alí... Como se fosem brechas, espaços em branco...
- É, é isso! São pequenas pausas na pauta, entende? Você convive bem com isso, mas não supera. Afinal, silêncio é silêncio.

And when she died I should have cried and spared myself some pain...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ponto de vista

Escrevi esse texto há muito tempo... Por que não coloquei aqui antes? Não sei... de fato não sei. Já concorri com ele em um concurso, já o vi em segunda fase, o que já me deixa feliz demais, embora eu quisesse ter ganho o tal concurso, como todo e qualquer mortal, diga-se de passagem. Lá vai:


Hoje acordei meio sufocada.  Não respirava direito e o ar parecia quente demais. Depois desse susto, outro: as luzes não eram mais as mesmas. Pareciam foscas, embora me cegassem com a intensidade com que encontravam meus olhos. Ainda assim levantei, me virei para sentar na cama e logo depois me por de pé, como todo estudante quando o despertador toca na mais tenra manhã de um dia que não é nem começo, nem fim de semana. Um dia tedioso... mais um deles! Foi então que percebi que as luzes tinham sido apagadas de repente, e gora, tanto do lado esquerdo, quanto do lado direito, se eu olhasse, veria um breu. Assustei-me. Depois vi que esse breu tinha forma. Tronco... tronco? Braços, tronco, cabeça. Possivelmente, teriam pernas também, mas essas eu não pude ver, devido a altura em que eu estava, fato que percebi nesse meio tempo. Seguranças! Seguranças? Para que eu precisava de seguranças? Me pus de pé para resolver de vez esse problema! Que negócio era esse? Onde é que eu estava? Aquilo parecia meu quarto, mas porque meu quarto teria seguranças? Dei o primeiro passo e colidi com algo que depois descobri o que era... Vidro? Por que vidro? Me tirem daqui já!
O segurança me olhou com uma cara de enfado, não porque tivesse me ouvido; simplesmente porque fazia parte do seu trabalho me vigiar e já era um dia tedioso, que não é nem começo, nem fim de semana. Achou engraçado eu me mexer e balbuciar algo que ele não podia ouvir, coisa que percebi pela sua cara de incompreensão e curiosidade postas numa mesma expressão.  Também achou engraçadas a minha irritação e exigência de rainha contrariada, criança birrenta.  Ficou me olhando espernear e ria-se da quebra de rotina que isso representou. Quando comecei a chorar, desesperada, percebi um início de comoção que logo se dispersou... Hora do almoço!
Foi então que no meio do choro, descobri o que estava acontecendo: eu tinha virado uma preciosidade, uma raridade que deveria ser preservada. O motivo? Não sei! Mas isso explicava os seguranças, o vidro, a altura em que estava... Então percebi que de nada adiantaria minha malcriadez, minha revolta.
Pus no meu rosto meu melhor sorriso, arrumei o quarto o mais bonito e asseado que pude, arrumei vestes galantes e me posicionei na cama do modo que achei mais belo e indiferente, altivo... como as estátuas gregas!, embora eu quisesse mesmo estourar com murros todo o vidro, provocar o som incômodo do soar do alarme, desfigurar a cara daqueles dois brutamontes do meu lado, velando a minha dor contida, e sair correndo, vento no rosto, sol na cara, novos cheiros, novas cores...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Cheguei. Mochila jogada na cama, nariz vermelho também. Agora sou eu, exceto o resto de maquiagem.
O palco é quarto, livros, xérox, cama, pó, paredes em número de quatro.
O futuro é uma visão através da janela. Mas como é que se vê uma coisa dessas com os olhos embaçados de lágrimas?

Vergessen... alles vergessen und nichts verstehen..... Kannst du dich das vorstellen?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dez anos desde nosso último banho. Dez anos desde a última vez que toquei seu rosto marcado pelas espinhas e pela falta de paciência da adolescência. Dez anos desde que dormimos nosso último sono.
Dez anos sem catar feijão e jogar conversa fora. Dez anos com excursões e sem surpresas quentes no forno.
Dez anos comendo o mesmo frango com batatas. Dez anos sentindo falta do gosto: doce do amor incondicional, salgado do desejo contido.
Dez anos sem música. Dez anos sem canto. Dez anos sem mão direita e sem rosas levar.
Dez anos sem sua alegria, sem seu sorriso, sem suas lágrimas incompreensíveis. Dez anos sem sentido, sem crença, sem festa.
Dez anos e incontáveis vezes eu desejei correr até você. E então, mesmo em meio a processos, amigos verdadeiros e falsos, temperos e cândida, você abriria os braços e só os fecharia até que eu me aconchegasse por completo.
Dez anos desde seu último sorriso, seu último espanto, sua última surpresa...
Dez anos desde o meu primeiro desespero.
Quem dera corda tivesse outra serventia... 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Tradução

Na apostila era mais para uma namorada, mas eu gostei mesmo assim. E claro, não poderia deixar de lembrar das minhas Freundinnen, né?
Ps: tradução livre minha- em rosa, pois é uma homenagem àquela a quem o texto se dirige-.... é, eu sou capaz!

An eine ferne Freundin
À uma amiga distante

Du hörst mir zu, wenn ich mit dir spreche.
Tu me ouves quando falo contigo.
Du antwortest mir, wenn ich Fragen habe.
Tu me respondes quando tenho perguntas.
Du sagst mir die Meinung, wenn es nötig ist.
Tu me dizes tua opinião quando é preciso.
Du hilfst mir, wenn ich dich brauche.
Tu me ajudas quando de ti eu preciso.
Du glaubst mir, ich vertraue dir.
Tu acreditas em mim, eu confio em ti.
Warum bist du so weit Weg?
Por que estás tu tão longe?
Du fehlst mir.
Tu me fazes falta.

Original em: Tangram Aktuell 3- Lektion 1-4 Kurzbuch + Arbeitsbuch (Niveau B1-1)
Lektion 1, Seite 8.

Não era sua intenção, tenho certeza. Quando nada dizemos, a última das coisas que queremos é isso. Quando nada sabemos, damos os melhores conselhos.
Mas é a primeira vez que sigo um conselho de verdade e de todo coração. É a primeira vez que não me finjo de forte, que não ligo, que não penso... que choro. Choro de todo coração. Com todo amor, com todo ódio...
Choro lágrimas do maldito se aceitar, do maldito se importar, do maldito fingir. Mais: do maldito suportar!
Obrigada, é a primeira vez que eu sou eu mesma. É uma pena que tenha sido entre as quatro paredes do meu quarto... Mesmo assim, obrigada... de coração!

domingo, 15 de agosto de 2010

Caro Vítor,
Guardei sua foto por anos na carteira, e ainda guardo. Gosto de lembrar o tempo que passamos juntos e as coisas que você me ensinou.
Gosto de lembrar de seus conselhos e de sua surpresa ao ver que eu encarava o mundo de modo a compreender o seu. Gosto de lembrar dos símbolos, dos encontros, da definição que deste a minha figura tão disforme.
Mas gosto mais de lembrar dos beijos na testa que você costumava me dar. Tão doces, tão protetores, tão verdadeiros!
Hoje me deste um pouco da alegria que tinha quando andávamos juntos.mais um beijo desses, desta vez por meios antes desnecessários. E é a isso que deixo o meu muito obrigado.
Aguardo sua volta,com tudo aquilo que a saudade dá.
Milhões de beijos iguais aos que você me dava e um desejo grande de que seu futuro seja maior do que tudo isso.
Aline.

domingo, 31 de janeiro de 2010


Soltaste monstro ferido, forte, atado. Com muito custo, atado. E soltaste no mais simples e primordial dos gestos.
A beleza de sua ação não passou despercebida, assim como o mau que causou. Às vezes, as boas intenções surtem exatamente o efeito contrário do pretendido. E a culpa é de alguém, cujo nome não se sabe.
A luz fez com que a ilusão dominasse monstro ferido, a muito custo atado. Fez com que achasse que poderia respirar e ser livre e belo, mais uma vez... só mais uma vez! Mas não. A luz foi demais para o monstro ferido, a muito custo atado, acostumado à umidade e a sombra das pedras.
Há quanto tempo vocês namoram? Nossa, vocês combinam tanto!...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Imensurável

Alegro-me, deveras, com a sua derrota. Minha vingança tardou, mas veio muito melhor do que eu esperava. Colha o que plantou. Chore metade das lágrimas que me fez chorar, e, então, estarei recompensada. Por que metade? Simplesmente porque, caso fossem suas todas as minhas lágrimas, você, peça disforme, sucumbiria muito antes do que eu desejo. Beberei sua derrota com a bebida-sangue, de gosto metálico único e novo. A sede é imensa, você nem imagina.